Nossos Historiadores

PINTURAS

As pinturas são, talvez, a forma de expressão artística dos seres humanos mais conhecida. Ao realizar uma pintura, assim como o escritor, o artista pretende passar uma mensagem ao seu público. para entender esta mensagem, a pessoa que contempla o quadro deve conhecer vários dos elementos que fizeram parte da construção da mesma. Reconhecer estes elementos possibilitará uma melhor interpretação da mensagem que o artista deseja passar, mas quais são esses elementos?

  1. O primeiro passo é identificar o autor, sua obra, sua bibliografia, o ano em que a obra em questão foi realizada e situar esta obra no contexto histórico em que foi produzida;
  2. Identificar o tema central da obra, religião e mitologia por exemplo, os personagens retratados, paisagens, elementos da natureza, vestimentas, técnica utilizada e etc;
  3. Identificados os elementos da pintura, podemos partir para a descrição da cena pintada, o que está acontecendo? O que está em primeiro plano? O que está no plano secundário?
  4. Por fim podemos problematizar a obra: O que o autor queria passar? Queria criticar alguma coisa com sua arte? Queria homenagear algum fato ou alguém?
Vamos tentar?
O nascimento de Vênus, Por Sandro Botticelli, em 1482.

  1. O autor já foi identificado, Sandro Botticelli, o ano em 1482. Que nos remete ao contexto do Renascimento Cultural na Itália. Esta pintura foi produzida para atender uma encomenda particular de Lorenzo di Pier Francesco, primo de Lorenzo de Médici, outro conhecido mecenas (patrocinadores das artes);
  2. O tema da obra pode ser a mitologia romana, retratando deuses romanos: Vênus, os ventos d'oeste e adeusa hora. Também são representados elementos da natureza;
  3. A pintura retrata o nascimento de Vênus, emergindo nua do mar, em cima de uma concha como tema principal, com a deusa flora cobrindo sua nudez com um manto de flores e os deuses do vento soprando Vênus para a margem como tema secundário. A natureza, mar e florestas, também são retratadas.
  4. A obra pode ser associada a uma homenagem do pintor ao amor, que é atributo da deusa Vênus; A obra também remete ao resgate da mitologia greco-romana efetuada pelo renascimento cultural; Os detalhes do corpo humano, das musculaturas e outros detalhes podem nos fazer refletir sobre os avanços nos estudos de anatomia que aconteceram na época; A perspectiva de profundidade é um avanço da época, com os estudos geométricos e se opõem à arte medieval com sua arte sem perspectiva de profundidade: 
  5. Apse of Sant Climent de Taüll,  autor desconhecido, ano aproximado em 1123.

Até o próximo post.


OBRAS LITERÁRIAS COMO FONTE

Literatura e história sempre andaram juntas, não é a toa que muitos leigos ainda acreditam que o conhecimento histórico é uma obra literária ficcional. Podemos reconhecer que a maioria dos escritores lançam mão da história para escrever suas obras ficcionais, como exemplo atual temos Laurentino Gomes:


Os historiadores também utilizam muitos recursos literários para escrever suas obras de análise histórica, atualmente alguns historiadores estão alçados ao posto de best-seller, pois conseguem unir em sua escrita uma análise historiográfica com uma boa escrita, podemos exemplificar com uma historiadora brasileira muito lida na atualidade, Mary del Priore:




MAS COMO UMA OBRA LITERÁRIA PODE SER UTILIZADA PELA HISTORIOGRAFIA:

O segredo da utilização de qualquer fonte historiográfica reside em que perguntas ela pode responder ao historiador. Logo, as mesmas perguntas que fizemos aos documentos no post anterior, podemos repetir às obras literárias: Quando foi escrito? Por quem? Em que contexto social? O que retrata? Qual foi a intenção do autor em escrever o livro? Realizar uma crítica? Se sim, a quem esta crítica é dirigida?
Partindo destes questionamentos podemos analisar qualquer obra literária, a partir de uma perspectiva historiográfica.

MAS CUIDADO HISTORIADORES:
As obras literárias não podem ser nunca encaradas como representação da realidade, o bom historiador pode usar um livro em sua análise, mas nunca deve tomar a mesma como realidade, pois toda obra ficcional é apenas o ponto de vista de uma pessoa, neste caso o autor, sobre o espaço-tempo em que vive.

ALGUMAS OBRAS QUE PODEM SER ANALISADAS SOB UMA PERSPECTIVA HISTORIOGRÁFICA:
Contexto: Revolução Francesa

Contexto: Meio Urbano RJ
Contexto: Sociedade açucareira
  

FONTES ESCRITAS

Neste post iremos aprender como os historiadores procedem para análise de fontes documentais:

Documento extraído da Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 89
  1. Ler o documento, no caso do documento acima a leitura é realizada utilizando os conhecimentos da paleografia, que é uma ciência que auxilia a história na leitura de documentos antigos;
  2. Transcrever o documento para a linguagem atual, facilitando sua leitura posterior
  3. Iniciar o procedimento de problematização histórica do documento, que consiste em fazer perguntas à fonte: Quando foi escrito? Por quem? Com que intenção? O que este documento pode me falar acerca do contexto em que foi escrito?
  4. A partir destes questionamentos o historiador pode iniciar o processo de escrita da história, mas não sem antes submeter sua pesquisa a uma metodologia científica, afinal toda ciência que possui sua metodologia, e com a História não é diferente.
Caso alguém se interesse em transcrever o documento acima, abaixo eu coloco a transcrição da mesma.

Lembrando que um bom paleógrafo sempre tem sua LUPA a disposição, afinal alguns documentos possuem letras pequenas e escritas borradas.